Fichamento ilustrado "Teoria do Não-Objeto"

Conceitos Cruciais e Glossário Teórico:

  • Não-Objeto: Não é um "antiobjeto", mas um objeto especial que realiza a síntese de experiências sensoriais e mentais. É um corpo transparente ao conhecimento fenomenológico, que se dá à percepção sem deixar rastro (uma "pura aparência").
  • Opacidade da Coisa: Refere-se à obscuridade essencial do objeto material comum, que é impenetrável e "insuportavelmente exterior" ao sujeito.
  • Transparência: No contexto do não-objeto, significa que a obra se vê à percepção, fundando em si mesma sua significação, sem depender de referências externas ou nomes.
  • Espaço Metafórico vs. Espaço Real: O espaço metafórico é o espaço de representação (dentro da moldura), enquanto o não-objeto se insere e no o espaço real do mundo.
  • Quase-Objeto: A obra que ainda é representação de algo real (como uma natureza morta). Ela se desprende do objeto real, mas não atinge a condição plena de não-objeto.

Reformulação do Argumento: Gullar argumenta que a arte moderna (do Impressionismo ao Neoconcretismo) é uma jornada de eliminação do objeto representado. A pintura começou a "morrer" quando Monet dissolveu os objetos em luz, e o quadro passou a ser valorizado como superfície plana (Maurice Denis) e não como janela para o mundo. A moldura e a base, que antes separavam a ficção da realidade, tornaram-se obstáculos. O objetivo final é a criação de uma obra que não represente nada, mas que se apresente no espaço real, exigindo a participação ativa do espectador para se completar.

    A teoria do não-objeto, proposta por Ferreira Gullar, pode ser melhor compreendida a partir de uma sequência de transformações na arte moderna. Inicialmente, observa-se a crise da representação na pintura, como nas obras de Claude Monet, especialmente em Impression, Sunrise, onde os objetos começam a se dissolver na luz. Esse processo se intensifica com artistas como Piet Mondrian, em Broadway Boogie Woogie, e Kazimir Malevich, em Black Square, que eliminam progressivamente o objeto da pintura.

                                          (“Morte da pintura” / ruptura com a representação)



















 
Em seguida, ocorre a saída da obra do espaço tradicional da tela, como no ready-made Fountain, de Marcel Duchamp, e nas instalações de Kurt Schwitters, como Merzbau, que já inserem a arte no espaço real. No entanto, Gullar critica certas tentativas que ainda permanecem presas ao objeto, como os cortes de Lucio Fontana em Concetto Spaziale. 

                                                (Obra saindo da tela -fim da moldura)
































O não-objeto propriamente dito aparece com mais clareza nas experiências neoconcretas, como os Bichos, de Lygia Clark, e  Cubo aberto, Amílcar de Castro, nos quais a obra deixa de ser um objeto passivo e passa a depender da ação do espectador, realizando-se como experiência direta no espaço e no tempo. Dessa forma, o não-objeto não representa algo, mas se apresenta como uma vivência, rompendo com as categorias tradicionais de pintura e escultura.

                                                                        ( Não-objetos ) 













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