Exposição do Pálacio das Artes

Eu visitei as exposições em cartaz no Palácio das Artes e me fizeram perceber como um mesmo espaço pode provocar experiências bem diferentes. Ao passar pela mostra do Grupo Giramundo, por “Afroapocalíptico” e pela exposição de Maré de Matos, eu senti que fui atravessando camadas distintas, do mais concreto ao mais sensível.

A do Giramundo foi a que mais me chamou atenção logo de cara, principalmente pelos bonecos. A quantidade impressiona, mas o que mais me marcou foi a forma como eles são feitos: madeira, tecido, papel machê, metal e até mesmo isopor… tudo muito artesanal.

 Dá pra ver os encaixes, as costuras, os mecanismos. Mesmo parados, eu tinha a sensação de que eles podiam se mover a qualquer momento, como se estivessem só “em pausa”. Isso me fez pensar que não são só objetos expostos, mas peças carregadas de história, quase vivas.

Já em “Afroapocalíptico”, a experiência foi bem diferente. Eu não fiquei só olhando, eu me senti dentro da obra.Os sons, os elementos visuais e as referências culturais criam um ambiente mais intenso, até um pouco desconfortável, mas de um jeito que faz refletir. Pra mim, não é um apocalipse no sentido de fim, mas de transformação mesmo, algo que mexe com a gente enquanto a gente percorre o espaço.

A exposição da Maré de Matos foi mais silenciosa, mais delicada. Eu precisei desacelerar pra realmente perceber.

Não é algo que impacta de imediato, mas vai ficando, aos poucos. Foi uma experiência mais íntima, quase como se pedisse mais atenção e sensibilidade.

No geral, eu senti que visitar essas exposições foi como fazer um percurso: comecei impactada pelos objetos e pela materialidade dos bonecos, depois fui levada pra uma experiência mais imersiva e intensa, e terminei num lugar mais introspectivo. Isso me fez ver como o espaço expositivo pode ir muito além de só olhar, ele pode fazer a gente sentir, imaginar e até se deslocar um pouco do nosso lugar comum.




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